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Com a provável alta do preço dos produtos siderúrgicos, refletindo os recentes reajustes do minério de ferro, a Transpetro - braço logístico da Petrobras - avalia ampliar a importação de aço para suprir a demanda de seu programa de modernização de frota, o Promef. Até agora foram adquiridas 123,6 mil toneladas de aço para a construção das 49 embarcações previstas no programa até 2013. Desse montante, 32% foram comprados da Usiminas, única fornecedora nacional de chapa grossa de aço para a indústria naval. Fontes da agência Reuters disseram que a siderúrgica deve reajustar seus produtos em 10,75% no terceiro trimestre, após alta de 11% a 15% em abril.
- A gente vai ter que continuar comprando aço para construir navio. Se não for aqui, será em outro lugar. Caso contrário, nossa indústria não será competitiva - afirmou nesta quinta-feira o presidente da Transpetro, Sergio Machado, em cerimônia de lançamento do primeiro navio da Promef construído no Estado do Rio.
Segundo a Transpetro, serão necessárias 680 mil toneladas de aço - item que representa de 20% a 30% do custo do navio - para a construção das 49 embarcações. Portanto, ainda falta comprar 556,4 mil toneladas ou 81% do total. A Transpetro sempre atua como intermediária nas negociações entre os estaleiros e as siderúrgicas. A última licitação, em maio, foi vencida pela Usiminas, que vendeu 7,7 mil toneladas de aço ao Estaleiro Mauá, em Niterói, onde foi lançado o navio ontem. O preço da tonelada de aço ficou em cerca de US$ 800, incluindo o frete.
Injeção de R$ 2,2 bi na indústria naval no Rio As vitórias da Usiminas, porém, não têm sido frequentes. A empresa já chegou a apresentar preços mais de 50% superiores ao dos concorrentes estrangeiros, o que levou a Transpetro a travar uma queda de braço com a siderúrgica e a buscar fornecedores no exterior. Do volume de aço comprado até agora, 70% vieram de China, Ucrânia e Coreia do Sul. Em todos dos casos, os preços incluíam o frete e ficaram abaixo dos propostos pela empresa brasileira.
Procurada, a Usiminas informou que ainda não definiu sua política de preços para o terceiro trimestre. Mas tudo indica que haverá um novo reajuste. Em abril, os aumentos de preços determinados pela companhia seguiram-se à alta de 90% do minério de ferro da Vale. A mineradora já acertou mais um reajuste, de 30% a 35%, que vai vigorar a partir de 1º de julho.
Em relatório da corretora Bradesco distribuído nesta quinta, os analistas Raphael Biderman e Gina Montone dizem que "uma segunda rodada de aumento de preços pode permitir às siderúrgicas, especialmente a Usiminas, recuperar margens perdidas no ano passado".
Machado afirmou que não teme uma desnacionalização dos navios, caso tenha de importar mais aço. Segundo ele, o navio "Celso Furtado" - batizado assim em homenagem a um dos maiores economistas brasileiros, morto em 2004 - , lançado ao mar nesta quinta, tem índice de nacionalização de mais de 70%, superior à meta de 65% da primeira fase do Promef. Além dele, o estaleiro Mauá vai construir mais três embarcações dentro do Promef.
Dos 49 navios previstos no Promef, entre petroleiros e gaseiros - que transportam petróleo e gás - 46 já foram licitados. Desse total, 16 foram encomendados a estaleiros no Rio, o que vai injetar R$ 2,2 bilhões na economia fluminense até 2013 e gerar 50 mil empregos, sendo dez mil diretos e 40 mil indiretos. O último navio construído no estado foi em 1997, pelo Estaleiro Eisa.
Brasil é o 4 maior em encomendas de navios No cenário internacional, o Brasil ocupa o quarto lugar em número de encomendas, com os 49 navios, bem atrás dos primeiros colocados. De acordo com o ministro da Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito, que também esteve ontem no evento em Niterói, a Coreia do Sul aparece em primeiro lugar, com 660 navios em carteira. Em seguida, vêm a China, com 460 embarcações, e o Japão, com 240 navios.
Fonte: O Globo |